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Uma pequena grande história do meu competitivo no Magic

  • 19 de set. de 2021
  • 21 min de leitura

Criado em 19/09/2021


E aí! Suaves nas neves? Vou postar aqui uma pequena grande história da minha trajetória no Magic competitivo, entre 2014 e 2019.

Comecei no jogo em 2003, quando vi numa sebo umas caixinhas de deck meio estranhas, umas ilustrações meio ''cabulosas''. Aí vi escrito estilizado ''Investida'', ''Flagelo''. Eu sempre curtia tecnologia. Nunca me interessei tanto por coisas medievais. Cavaleiros? Goblins? Nah, meu negócio era robô! Só fechava com robô! Gosto de coisa complicada, robô for the win e tudo mais.

Mas aí resolvi comprar um baralho desses. Peguei um tal de ''Turba de Goblins''. O bicho da capa mó feio da disgraça!

Até aí, meu sonho de infância era ter um deck de Pokémon, um Game Boy e um boneco do Mega Man X. Mas, né, o tal deck de Magic achei estranho mas não era tão caro e decidi comprar. Abri o deck, e vi umas coisas um tanto bizarras. O que é metamorfose? O que é voar? Ímpeto? E essa cor avermelhada, parecendo terra queimada, sei lá? E essas letras rústicas?


Depois de muitos anos, acabei recomprando as cartas do deck. Que deck bom!


Fiquei de cara, achando que veria umas cartas simples, mas ao longo do tempo vi que era um dos jogos mais complexos já criados. Que troço diferente de tudo que tinha visto, que design! Posso dizer que era encantador, imersivo, tudo isso num pedaço de papelão. Depois de uns anos, consegui ter acesso a um livro de regras do jogo. E, quanto mais via que o jogo era complexo, cheio de habilidades, mais eu amava. Era muito mais do que ''só colocar energia no Pokémon e atacar'', como eu pensava na época. Foi mágica essa busca em aprender a jogar.

Se não me engano comecei a jogar no CRJ, um centro recreativo aqui da cidade. Foi lá que acabei fazendo burrada e fiquei trocando cartas do deck por outras horríveis já na época, só pelo gostinho de conhecer as outras cores do jogo, ter cartas diferentes. Ensinei o broder Weberson, mais conhecido como 15kg, a jogar. Ensinei que nem um idiota, tratando ele meio mal por conta dos problemas pessoais que tive na época.

Lembro também que quando comprei 2 decks de Merfolk da edição Lorwyn, em 2007, eu acabava faltando na escola quase toda quarta-feira pra ir jogar Magic no Carrefour. Não sei como consegui passar de ano com tanta falta na quarta-feira. Minha mãe acho que até hoje não sabe disso rsrsrsrs. Conheci vários jogadores, incluindo se não me engano o Lazyguga. Teve um torneio que perdi pra ele no teatro aqui da cidade. Mas na época não jogava tão sério, até porque não tinha dinheiro pra montar um deck fechado e eu jogava mais casualmente mesmo.

Mas aí, fiquei um tempão sem jogar. Tava com uns problemas pessoais, CRJ fechou, fomos expulsos do Carrefour de jogar Magic lá. Eu tava sem trabalho e sem grana também.

Avançando um pouco, lá pra 2011, soube que tinha um lugar novo pra jogar. Fui jogar um Prerelease de Nova Phyrexia. Foi a primeira vez que joguei um torneio sancionado, valendo pontos e tudo mais. Claro que fui mal, até porque montei um baralho de 60 cartas em vez de 40 :v. No Prerelease, podia montar um baralho menor, de no mínimo 40 cartas. Mas sem problemas. O 15kg já na época era mais assíduo no jogo que eu. Tanto que ele competiu por muito tempo, sendo conhecido por gente até de outros estados como o jogador de BR Vampires, na época do Standard que só jogavam de Caw Blade. Nessa época conheci o famoso Jaceus Cristo, the Mind Sculptor, criador da zica e do flood. Odiei a carta. Era impossível de lidar jogando contra.



Odiava demais essa carta. Até jogar com ela.


Comecei a jogar mais o Standard, mas com decks bem budget, sem tanto interesse ainda em competir e tudo mais. Depois de um tempo, montei um deck UG Infect, que na época tava bem barato, comecei a jogar os FNMs. Só que com uma mentalidade errada, de ter sede de vitória demais. Eu ficava na época muito nervoso quando perdia, de tanto que apanhei antes com os decks budget. Não queria mais ficar perdendo feio.

Mas aí veio a rotação do Standard. Meu deck de Infect não valeria mais pro formato. Aí me disseram pra vender o deck naquela hora, pra então comprar o deck para a pós-rotação. Acabei não vendendo e meio que pensei em ficar só em deck budget mesmo, ou nem jogar Standard. O extended não tinha tanta gente jogando nesse momento.

Foi nesse meio tempo, que a Wizards criou o formato Modern. Sem rotação, valia de 2003 em diante. E então meu Infect tinha uma nova casa. Problema é que, né, fetch lands.

Fetch lands são o ciclo das cartas com maior demanda da história do jogo. São os melhores terrenos que você pode ter em qualquer deck. Você tira ela da mesa, perde 1 de vida, pra procurar no deck por qualquer terreno dentre as duas cores citadas na fetch land e coloca na mesa. Pra qualquer deck de 2 ou mais cores, ou até pra decks de 1 cor só, era o melhor terreno possível. Só que na época tava custando 300 reais cada uma! Aí complica!

Avançando um pouco no tempo, tava eu jogando Magic em 2014. Jogando mais Standard, um pouco de Commander também. O formato Modern ficando a pampa, rumo a virar o Texas Hold'em do Magic, formato com potencial monstruoso e tudo mais. Aí tinha um problema que era a bendita base de land usando fetch lands, as famosas rsrs. Os decks já hiper caros e tudo mais, mas aí vem uma edição Standard que trazia de volta as fetches de Investida, as fetches aliadas. Pronto! Agora o formato estava ''completo'', com praticamente toda a base de land de máximo power level possível e ainda por cima, um set que trazia pela primeira vez a temática de wedges (''fatias'' em inglês) - combinações de 3 cores que formavam uma fatia de bolo na color pie (por exemplo, no bloco de Alara, nós tivemos as shards, combinações de 3 cores em que cada cor fazia uma sequência - nas wedges, só 2 faziam sequência e se juntava a uma cor inimiga em comum destas 2). Nem preciso dizer que era do caralho isso e eu *precisava* ter pelo menos uma box desse set, jogar pelo menos 2 prereleases e draftar o máximo que pudesse. Consegui com dinheiro suado comprar 2 boxes, tirei várias cópias das fetches e fui jogar um Grand Prix Trial de Limited em São Paulo (ah, saudades dos GPTs), que dava viagem pro GP Chile de 2014 (ah, saudades de eventos dando passagem!). Joguei tão bem que só perdi na final, numa partida absurda que comecei montando Jeskai no draft e até me mandaram uma fetch UW no meio do draft! sahuashuashuashuashuashuashu


Na época tinha até escrito um artigo, falando sobre o evento e o limited de Khans of Tarkir. Se quiserem conferir, segue o link:



Primeiro resultado gigante no competitivo do Magic, em que me fez abrir mais e mais boosters hehehe. Lembro até hoje que as fetches como Polluted Delta, custavam 300 reais. Quando saiu Khans of Tarkir, desabou para 40 reais! E vendia infinito! Comprei meus playsets e aí começamos a brincar de Modern.

Ao longo de 2014 e 2015, nesse meio tempo acabei ficando sem trabalho e foquei em trabalhar como juíz. Trabalhava como juíz em FNM e tudo mais, em troca de boosters ou outras coisas que as lojas ofereciam e vendia esses materiais, pra conseguir pagar a passagem de ida e volta desses eventos. Uma vez fui lá pra perto de Aparecida, outra vez na zona norte de São Paulo. Era quase todo fim de semana indo pra PPTQ e tudo mais, indo pra FNM que ao todo pagava 3 boosters e vendia os boosters pra pagar a passagem, direto ficando sem um tostão no bolso nem pra comer. Era muito duro em vários aspectos, mas aprendi muita coisa. Criei muitos amigos que infelizmente acabei me afastando e tudo mais, ainda mais que sou meio introvertido e talz, conheci muita coisa que jamais saberia se eu apenas jogasse o Magic e tudo mais.


Não me lembro de muita coisa dessa época mas em 2015, tava passando por um momento muito difícil mentalmente. Meio que descobri que tava em depressão, por vários fatores, mas principalmente por conta de uma pessoa infernizando a minha vida e me fez desistir do blog, de trabalhar como juíz de Magic, de jogar Magic mesmo e quase que da minha vida por completo.


Tava muito triste, solitário, sem vontade de fazer nada. Teve um dia que nem me lembro o motivo, que eu comecei a ficar com muita raiva de mim mesmo, por estar triste. Lembro um pouco da tal pessoa me humilhando, e ainda ''amigos'' concordando com as canalhices que ele falava de mim. Até que fiquei com tanta raiva, que nas idas e vindas da extinta Deck Store em São Bernardo, fechei a mão e concentrei toda a minha raiva nessa mão e falei pra mim mesmo algo no sentido de que ''agora era tudo ou nada'', não no sentido de que eu poria um fim na minha vida, mas que eu os faria pagar por terem me pisado, mas não respondendo me rebaixando à altura deles. Naquele dia, talvez num sábado, não me lembro ao certo, eu me decidi que era tudo ou nada, eu me mataria de estudar e trabalhar pra conquistar algo no Magic, ou acabaria e desistiria de tudo. E foi o que fiz. Não tinha dinheiro direito na época pra jogar campeonato, tinha conseguido umas promos de juíz, mas tive rolo na compra de várias cartas e não tava conseguindo pagar um deck de merfolk na época. Foi uma dor de cabeça e tanto. Mas depois de um tempo consegui me organizar.

Nesse tempo, focava o máximo de tempo possível pra ficar só estudando o jogo, principalmente o Modern. Tinha dia que eu estudava 12 horas, só vendo sobre o Modern, ia lendo os livros Next Level Magic e Next Level Deckbuilding, do Patrick Chapin (vou falar futuramente sobre o desfecho disso anos depois). Estava decidido em tentar transformar a minha depressão em força pra me tornar um dos melhores jogadores de Magic do mundo. Chega. Nunca mais iria tolerar ser chamado de medíocre por ninguém, nem de qualquer outra coisa que fui chamado na época.


Aí chegamos no meio de 2016 e finalmente consegui um trampo. Estudei feito louco o jogo, focando todos os meus esforços no Modern. E então, por conta do trabalho, consegui ter dinheiro pra comprar as cartas que eu precisava. Aí foquei em um segundo objetivo: se pretendo jogar em nível profissional, eu *preciso* ter não só as cartas mas os decks. Então, veio o segundo objetivo do meu projeto de vida competitiva: ter todos os decks Modern.

Claramente era uma missão meio que desnecessária e talvez até burra, por ser uma enormidade de dinheiro. Mas naquele momento, pouco importava minha saúde. Meu plano era alcançar quaisquer objetivos necessários, pra eu vencer no Magic.

Até que depois de vários anos, eu até consegui montar quase metade do metagame do Modern. Um feito pessoal e tanto pra mim, mas que no fim das contas acabei vendendo quase tudo porque não precisava tanto de tantos decks diferentes. No meio desse rolo todo, veio Battle for Zendikar, fui apitar um PPTQ beneficiente porque na época era T2 com Battle for Zendikar mas fiquei na lista de espera. Como não teve tanta gente, acabei ficando pra jogar de graça. Tava sem deck, mas me emprestaram um RG Ramp com Ulamog. Nunca tinha jogado com aquele deck. E bizarramente, consegui fazer top 8 com ele. Foi um sinal.

Aí veio Shadows Over Innistrad um tempo depois. Se não me engano eu já tava trabalhando e fui me meter de jogar na Deck Store um Game Day no formato Standard. Meu foco era o Modern, e então na época o Bant Company era uma boa pro T2. Eu tinha comprado os Companies, mas não tinha quase nada do restante deck. Que que eu fiz? Meti o louco e botei o que tinha na minha pool, uns Silumgar's Sorcerer, Bounding Krasis, Sidisi's Faithful, etc. (malz, não tenho mais a lista :/) . O deck tava MUITO defasado.

E o que aconteceu? Ganhei o Game Day! Tenho o playmat até hoje.

Mas e o domingo? ''Quer saber? Que tal a gente jogar o Game Day de novo?'' E fui jogar o segundo Game Day. E na penúltima rodada, ou a última, não me recordo, enfrentei aquele que me fez muito mal e ele com o Bant Company completo. Ganhei dele e levei mais um playmat pra casa!


2 Game Days de Shadows Over Innistrad - 2016 (sábado e domingo)


Do nada, conseguindo bons resultados em sequência! E DOIS playmats super cobiçado na época pelo pessoal. E com o deck praticamente só com comuns e incomuns!


Depois de tanta tristeza, finalmente senti que todo o trabalho duro de jogar muito menos, e estudar muito mais, estava com tudo pra dar muito certo. E era só o começo.


Em fevereiro de 2017, ganhei o Game Day de Aether Revolt, de UR Emerge. Não era o melhor deck do meta, mas era barato! Então, bora de farm né? rsrs






Tá, mas e o Modern? O Modern, montei o UR Delver inicialmente. Consegui fazer 4-0 na Bazar de Bagdá, depois do Treasure Cruise ter sido banido. Sim, farmei lá sem usar Treasure Cruise! Mas mesmo assim, que field difícil lá, hein! Só tinham aos montes dos melhores jogadores do país.


Depois, migrei pro Grixis Delver, mas só tomando pedrada dos BGx que tinham aos montes na Deck Store.

Joguei um WMCQ da época, mas fiz 4-4 e vi que era melhor mudar de deck.

Foi então que veio o Bant Eldrazi e consegui vaga pro CLM da época com ele, com um top deck absurdo de Explosivos Fabricados contra um Merfolk na final.


Até então no CLM não consegui ficar na premiação, mas os farms nos eventos menores não paravam.


Agosto de 2017 - GPTravel São Paulo Modern - nessa época, vi que a boa era montar mesmo o Eldrazi Tron. Mas Cálice do Vácuo, os Ulamogs e os Karns estavam uma fortuna!

Mas aí, quem precisa de tudo isso, se tem Emrakul nova e Scour the Existence? Sim! Mais uma vez, com deck todo desfalcado, mas ainda assim farmando a passagem pro GP São Paulo 2017 (passagens de tróleibus na mão kkkk).



E esse GP São Paulo 2017? Era Modern! Só que eu tinha que completar o deck. Foi então que consegui fechar o deck e na sexta-feira do GP, comprei na hora os 4 Cálices do Vácuo. A carteira chegou a doer, mas eu tava no tudo ou nada. Não era opção voltar atrás.

E então consegui meu maior resultado pessoal até então: consegui finalmente passar pro Day 2. Sério, deveriam ensinar nas escolas, ensinar pros jogadores de outros card games o quão ABSURDAMENTE DIFICÍLIMO era só de chegar num Day 2 de GP. No day 2 eu perdi todas exceto a última que não valia mais nada, mas finalmente eu tinha conseguido meu primeiro Pro Point. Não valia de nada ter 1 Pro Point só, mas pra mim valia tudo. Na época meio que me tornei o top 2, top 3 da Deck Store. Tinha o Ramonzinho que tinha feito resultado melhor, fez 3 Pro Points mas acho que não ficou no cash. E no fim desse GP extremamente exaustivo, me lembrei daqueles dias que era xingado de medíocre e tudo mais. E ali era quase que missão cumprida já. Só que, quem disse que pra mim aquilo era suficiente? Eu queria ainda mais!


Joguei vários outros eventos grandes, Nacional, mas não tive resultados expressivos no Standard. Eu só conseguia gostar de Modern. Era um metagame muito mais vasto, desafiador, divertido.


Aí vem 2018, com o Standard de Amonkhet e Ixalan, que estava muito ruim e me deu pouca vontade de jogar. Mas fui inventar de brincar em mais um ''Game Day'' (que na época mudou de nome pra Store Championship). Claramente o UW Approach não era o melhor deck, mas acabei montando ele pro nacional da época e era um deck que eu queria deixar as cartas na pool Modern. Então joguei com ele, fui super bem. Aí veio o corte do top 8. E veio isso.


Deck: https://www.mtggoldfish.com/deck/1330026



Sim! Final antecipada! Um MIRROR de CONTROLE DE TRÊS HORAS! E contra a tal pessoa que me fez tanto mal esses anos todos! Era um duelo de honra, de resistência e, acima de tudo, de gameplay. No game 3 se não me engano, eu estava MUITO pra traz de recursos e num duelo de counters, consegui se não me engano abrir uma play de Torrential Gearhulk conjurar a parte de Memory do Commit//Memory, fazendo eu comprar 7 cartas novas. Como acabou exatamente não me lembro, mas esse momento foi ápice moral da minha carreira. Me entreguei de corpo e alma naquele exato momento e consegui ganhar uma partida que jamais achei que ganharia. Demorou tanto a partida, que rushei o máximo no top 4 e final. Consegui ganhar ainda e deu pra eu pegar o tróleibus pra ir pra casa. Saí da loja acho que quase meia-noite.

Depois disso, teve campeonato de Pauper Standard na Deck Store, em que consegui 4 kits de prerelease de Ixalan, vários outros resultados de outros eventos pequenos que nem lembro mais. Mas enfim. Eu senti que poderia ser melhor que muita gente, não só da loja. E meio que indiretamente, o pessoal todo da loja estava melhorando muito o nível. Conseguíamos jogar de igual pra igual contra os melhores jogadores do Brasil. Eu posso até chutar que a Deck Store poderia ser facilmente a loja mais difícil do Brasil pra se jogar Modern na época. Quase todo mundo chegou num momento que estudava e testava o jogo diariamente. O pessoal não tinha dinheiro pra ficar trocando de deck, mas procurava inovar e jogar o mais perfeitamente possível. E aí junta tudo isso, com CLM pra jogar mais gasolina nesse caldeirão, direto a gente assistindo stream de eventos da Starcity Games no formato Modern, que rendia o dobro da audiência na Twitch do que os eventos do Standard, e o metagame vastamente mais saudável que o Standard, era a receita perfeita pra eu concluir que o Modern era o Texas Hold'em do Magic: the Gathering e que faltava pouco pra ser o formato de jogo perfeito. Não consigo enfatizar o bastante do quão otimista eu estava com esse formato para o futuro do jogo. Poxa, o Protour que mais teve audiência (se não me engano até hoje, tirando o mundial que o PV ganhou) era o Protour Rivals of Ixalan, que teve pico de 70.000 pessoas e era justamente no formato Modern! Uma pena que as coisas não prosseguiram para esse lado, mas mais pra frente comento sobre.


Continuando em 2018. Standard tava horrível, o Modern tava maravilhoso. Daí veio Guilds of Ravnica. Foi o momento que o meu formato favorito estava mais próximo possível da perfeição. Ainda mais que antes.

Só que... acertaram a build do UR Phoenix... e daí foi ladeira abaixo pro formato. Maaaaasss.... ainda no ano acima, rolaram os bans e tudo mais, fui jogar um PPTQ Modern, que era o de Ravnica Allegiance.

O PPTQ (Preliminary Pro Tour Qualifier) era um evento feito nas lojas, em que era o primeiro passo pra se poder jogar o ProTour, o maior evento do Magic - em vários anos praticamente no mesmo nível de importância do mundial ao meu ver.

Pra poder jogar um Protour, primeiro você precisa ganhar um PPTQ. Sim, só o ganhador que consegue vaga pra um segundo torneio, que é o RPTQ (Regional Pro Tour Qualifier). Aí normalmente era ou só os 2 finalistas, ou até o top 8 do RPTQ conseguia vaga + passagem pra jogar o Pro Tour (quanto mais gente com vaga pro RPTQ, mais vaga dava pro ProTour).


Vou postar mais resumido abaixo:



PPTQ > RPTQ > ProTour > Mundial


somente 1º top 2 ou maior somente 1º

dependendo de ou maior pontuação de Propoints da região na season

qtas vagas derem ou Hall of Fame (ou seja, mais que impossível)


Esquema de como era jogar o ProTour, conseguindo a vaga em GPs.


GP > ProTour


top 4 ou top 2


Pelo GP, que era um torneio gigante e aberto, era possível também. Mas lembrando que só de fazer Day 2 era MUITO IMPOSSÍVEL. Mas por que muito impossível? Porque normalmente o Dia 1 eram freaking OITO ou NOVE rodadas, SEM PAUSA! Só tinha pausa se vc acabasse a partida antes de acabar o tempo da rodada. Aí você tinha uns minutinhos pra comer e beber alguma coisa. Pra vcs terem noção do quão difícil era, eu saía de casa 5 da manhã e chegava quase meia-noite de um GP que eu joguei o day 1 todo. E pro day 2 quando passei, tinha que acordar às 5 da manhã de novo, pra jogar mais 6 rodadas!

Agora imagina jogar nove rodadas, como foi em 2017, o formato absurdamente difícil como era o Modern, contra os melhores jogadores das Américas, sem pausa! Esse exemplo do grind sofrido que era do Magic é um dos muitos exemplos que eu queria muito que jogadores de outros card games soubessem do quão espetaculares os profissionais de Magic são e do quão subestimados, fora do radar, eles são. Pouquíssimos fora do Magic sabem do quão sofrido e dificílimo era só pra conseguir um resultado OK que resultaria em zero dólares de premiação. Quem dirá conseguir jogar um Pro Tour.

Por isso que direto uso referências do Magic no Runeterra mesmo e em outras coisas do dia-a-dia. Não tem como ter passado por isso e não ter vontade pra contar pra Deus e o mundo do quão FODA os grinders e os pros são pelas conquistas e pelo conhecimento inestimável deles sobre estratégia dentro e fora do jogo.

Pros de Runeterra? Aprendam com os players de Magic. Eles têm TANTO a contribuir pro jogo de vocês, que vocês nem fazem ideia. Posso estar enganado, mas vejo que ser um jogador de altíssimo nível no Magic é anos-luz mais difícil do que no Runeterra e do que em quase todos os outros TCGs.


Mas voltando pro PPTQ.

Pro pessoal que não é do Magic, só de participar do Protour era sonho de muitos jogadores. Meio que ainda é assim até hoje.

Fui lá jogar um PPTQ, entre os dias de mais um CLM (Circuito Ligamagic). Aí, consegui ganhar o PPTQ!

Eldrazi Tron tava o fino da bola. Conseguia também vários 4-0 na Deck Store nos fins de semana nessa época.

Daí veio o meme ''um sábado qualquer''. Ia jogar, fazia tranquilo o farm no sábado, era um sábado qualquer kkkkkk.





Finalmente consegui vaga pra etapa seguinte, o RPTQ.

Aí veio o CLM 11 no meio desse bolo. Nós jogávamos 5 etapas na loja, aí os 8 melhores jogavam um top 8 single elimination. Nas etapas anteriores, somente o 1º ganhava vaga pra final, valendo milhares de reais em dinheiro de premiação. Mas nos circuitos seguintes, era o 1º e o 2º.

Consegui ganhar a vaga pra final Modern.


Aí a final ia ser num dia peculiar da semana: num sábado!

No Frei Caneca, se não me engano era umas 150 pessoas pra final e 10 mil reais de premiação entre os melhores colocados.

E fui de novo de Eldrazi Tron. Deck que eu tinha treinado mais que o infinito umas duas vezes. Tinha dia que eu treinava 12 horas por dia, tudo pelo Cockatrice (saudoso Cockatrice). Treinei a maior parte do tempo sozinho.

Aí antes do evento, o Rafael Altomani me deu a dica que foi crucial pro torneio: usar 2 Ratchet Bomb de main deck.

Usei no lugar de 2 Chalice of the Void, em que coloquei no side.


E, bem, o resto é história.


Foi do caralho ter ganho o CLM, mas velho, OLHA QUE CABELO HORRÍVEL! UM MALUCO DESSE QUE QUEIMOU A GRANA TODA NA PORRA DO DECK, NÃO TINHA GRANA NEM TEMPO PRA CORTAR O CABELO E NÃO FAZIA MAIS NADA NA VIDA A NÃO SER TRABALHAR E JOGAR MAGIC! E DETALHE, A POHA DA CAMISETA TAVA RASGADA NO SUVACO!

Até marquei o tempo do vídeo aí em baixo da final, em que eu consigo voltar de uma Emrakul 15/15 limpando a minha mesa no turno 2:


https://youtu.be/p_VdmzdqnVM?list=PLZON_cjMH5yjmKgA6Cuf2oOR2rxXbBBKQ&t=39394

Artigo Report campeão CLM 11 Modern:


Esse dia foi um dos mais felizes da minha vida, senão o mais feliz. Que conquista!

Com a grana da premiação, consegui pegar o restante, pra fechar o Mono Green Tron, pra usar no RPTQ.



Esse top 8 do Modern estava MUITO STACKADO! Entre eles, o Monea do meu lado esquerdo - do forno da Deck Store, João Lucas Caparroz que é um dos melhores jogadores do Brasil atualmente, o Diego Ganev também outro monstro dos formatos Modern e Legacy.


Aí, como quem não quer nada, decidi jogar um PPTQ no domingo lá mesmo no Frei Caneca, vendi umas cartas pra pagar a inscrição do PPTQ e fui jogar. Esse PPTQ também tava rendendo dinheiro de premiação pro top 8.

E não é que consegui ficar no top 8 de novo? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Esse fim de semana foi simplesmente incrível. Vou guardar no coração pra sempre!


Aí então, o RPTQ que ganhei a vaga tava marcado pro final do ano.

Dia 2 de dezembro de 2018.


Com o Mono Green Tron fechado, decidi jogar com ele até por conta do metagame ter ficado mais favorável pra ele.

Treinei um pouco, não tanto quanto gostaria, mas ainda assim estava tranquilo de jogar com o deck.

Era lá na Bazar de Bagdá em Santana. Tinham em torno de 120 pessoas, as 120 melhores do Brasil. Por conta da quantidade de jogadores, deu o máximo de vagas que era pros 8 melhores. Vagas para o Pro Tour!

E aí ganhei a primeira rodada, ganhei a segunda, terceira, quarta. Eu fiquei já em choque ''Será que hoje é o dia?''.

Aí não me lembro se fiquei 5-2, mas acho que foi 5-2 mesmo. Ganhei a 5ª rodada, eu não pude empatar porque meu oponente estava pareado pra baixo, ou seja, ele tinha que ganhar pra ainda ter chance de entrar no top 8.

Acabei perdendo e fiquei de cara: ''Meu Deus, sério que vou perder a próxima e ficar em 9º ??''.

Só que aí, na rodada seguinte, se não me engano fui pareado pra cima e estava com um oponente que poderia empatar.

No que me lembre, empatei, e então realizei finalmente o meu sonho de ir pro Pro Tour!





Contei pra pouquíssimas pessoas isso, mas só quando saíram realmente os standings finais, que comecei a acreditar que realmente tinha conseguido ficar no top 8. Segurei MUITO pra não chorar, recebemos os parabéns de dois monstros do jogo, Willy Edel, do Thiago Saporito e da staff do torneio. Aí comecei a ir pra casa. Era umas 2 horas de metrô e ônibus até em casa. Não me aguentei. Chorei desde a saída da loja, até minutos depois de ter chegado em casa. Nunca chorei tanto em toda minha vida. Até chorei um pouco quando fui escrever aqui, só de lembrar.

Veio um filme na cabeça, de toda essa trajetória mais focada nos torneios, de 2015 até agora. O que antes era taxado de medíocre, pisado pelos outros, estava onde muitos sonhavam pisar, estava pra jogar contra os melhores jogadores de Magic do mundo.

Consegui a tão sonhada vaga pro ProTour, que acabou mudando o nome pra Mythic Championship 1, em Cleveland/Ohio, nos EUA.

Pera, nos EUA? Além de eu ter conseguido realizar um sonho de quase 1 década, de jogar um ProTour, vou conseguir realizar algo que nem via como sonho porque nunca achei que teria dinheiro pra realizar? Eu esse tempo todo focado pra conseguir um grande resultado, nunca me veio na cabeça que conseguiria viajar pra fora do país.

Eu nunca tinha viajado de avião! E agora, receba essa viagem paga e 14 horas só de ida! kkkkkkkkkkk


O torneio foi nos dias 22-24 de Fevereiro de 2019.

Esse torneio eu tive alguns problemas. Fiquei sabendo do formato pouco tempo antes do torneio, se não me engano em torno de 1 mês antes. E era Standard, em vez de ser no formato Modern. Fiquei bem chateado porque todo o circuito desde o PPTQ era Modern. PPTQ Modern, RPTQ Modern, pra então o Protour ser Standard. Até mandei mensagem pra Wizards sobre isso, pra pelo menos corrigir isso nos próximos eventos mas não adiantou nada. Enfim.

Passei por dias muito difíceis, treinando Limited e Standard por 18 horas por dia sem parar. Até que decidi escolher o deck meio que de última hora, por um problema pra conseguir as cartas. Eu pensei em ir de Sultai, mas acabei mudando pro Mono Blue Tempo. A escolha foi excelente, porque a Autumn foi campeã do ProTour justamente com esse deck.

Problema que não treinei o suficiente e por pouco tempo de costume com o Standard antes mesmo dessa temporada nova, acabei indo mal no evento. Mas de cabeça erguida, tomei 7-1 como um bom brasileiro! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Perdi 7 rodadas e ganhei só a última que já não valia nada. Eu precisaria fazer 4-4 pelo menos, pra fazer day 2.



Só os melhores jogadores do mundo reunidos aqui. Foi gostoso demais jogar aqui.



Mas eu tava super tranquilo com as derrotas todas. Joguei o meu máximo e aproveitei um pouquinho a viagem. Quase não saí do hotel e do local do evento, mas prometi a mim mesmo que um dia volto pra curtir de verdade a cidade. Cleveland por muitos anos era tratada como cidade meme nos EUA, mas achei a cidade muito boa até. Fiquei até intrigado que no aeroporto, quando fui passar no raio X, o policial até elogiou a minha camiseta da guilda Izzet! Direto uso essa camiseta nas lives, não tem como!




Kitzão brabo do Mythic! Crachá com meu nome e tudo!


Ah, e os livros do Patrick Chapin? Então, o Patrick Chapin é hall da fama do Magic, um dos jogadores mais importantes da história do Magic. Ganhou o ProTour Atlanta 2014 e fez vários top8 de GP e Protour. Ele escreveu os dois livros (Next Level Magic / Next Level Deckbuilding), que são dois dos mais importantes materiais da história dos TCGs. Esses dois livros me ajudaram demais a aprender como enxergar o jogo como os profissionais enxergam. Se eu só treinasse sem ter estudado esses livros, eu jamais teria nem um décimo de resultados que tive.

Fui jogar o Mythic e ele tava lá participando também. Me deu um frio na barriga enorme, mas depois de muito tempo, consegui coragem de falar com ele. Acabei não tirando foto nem nada porque sou meio receoso com fotos, mas falei pra ele que eu quase desisti de tudo e que, se não fosse por ele, pelo que ele fez pelo Magic e comigo com os conteúdos dele, eu jamais estaria ali. Patrick Chapin, if you ever read this, I leave here my thanks again! Thanks for everything!


Pra alegria dos Jundeiros aqui do Brasil, pelo menos gravei um vídeo com o Reid Duke. Os caras foram à loucura kkkkkk



Enfim, esse foi meu último grande resultado no Magic infelizmente.

Após isso, tive vaga automática pro RPTQ pra Londres, que era Standard, mas aí não fui bem. Se não me engano consegui um top 16 no CLM 12, que foi infelizmente o último CLM que tivemos :/. Uma pena que 2019 em diante, rolou tanto problema no Magic (sem contar a pandemia), que vi que o jogo poderá não ter futuro, pelo menos como um esport.


Nos próximos posts, vou falar mais sobre o que rolou após isso e por que estou migrando para o Legends of Runeterra, fora um tantão de ideias na minha mente, que quero compartilhar.


Mas não tem como eu finalizar um artigo gigante desse, de uma forma tão triste. Por mais que esse tempo bom não volta mais, essa pandemia com o tanto de coisa que sofri, me fez ter mais sede de viver do que nunca. Se você estiver lendo isso, saiba que sobrevivemos até agora e que por mais que a situação esteja difícil pra todo mundo, não podemos aceitar que o mundo desmorone sobre nossa cabeça. Eu sobrevivi a depressão e até agora a essa pandemia. Tudo que eu mais quero é poder viver tranquilo, poder jogar meus jogos tranquilamente, com as contas pagas. E não vai ser um bando de desumanos que vão me fazer parar agora. Você tá comigo nessa jornada? Talvez no Magic não role mais, tudo bem. Só que cada fim é um recomeço. E ainda não ganhei um mundial ainda. Então se prepare!


Ah! pra complementar com a viagem que fiz pra Cleveland, procurei vídeos no Youtube que mostravam como era andar pela cidade. Achei esse aqui e guardei essa trilha pra sempre na memória. Andei por lá ouvindo essa música e chorei infinito de novo rsrs. Sempre em um momento muito especial, ou em algum momento muito difícil, vou ouvir essa música pra nunca me esquecer pra onde irei no futuro fazer uma visita.


Música: Bob Crew Generation - Street Talk

Cleveland! Um dia eu volto!

RafaWillians




 
 
 

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